O sonho de Gaspar – Filme do Outro

 O sonho

Todos sonhamos, mesmo que não nos lembremos, e é, de facto,  um evento universal e fisiológico. Sonhamos cerca de 4 a 5 vezes por noite, numa fase do sono chamada de sono-REM, com a duração de 5 a 30 minutos. Na segunda metade do sono os sonhos são mais intensos e prolongados. É bastante normal termos sonhos, e não nos lembrar-mos, e para que isso aconteça precisamos de acordar durante o sonho, ou “perto” dele.

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lucid-dreamingPondo de parte as teorias religiosas e místicas, do ponto de vista puramente científico, o sonho é uma criação e uma vivência  cerebral e fisiológica. Quando dormimos ocorre uma diminuição progressiva da atividade cerebral, uma redução da percepção do ambiente externo e relaxamento muscular. Quando dormimos, a nossa atividade cerebral altera-se:

Existe uma grande  actividade cognitiva, várias áreas e funções ativam-se, como a memória, as emoções, a criatividade, etc. Os olhos movem-se de um lado para o outro, mesmo com os olhos fechados. No entanto, o corpo mantém-se paralisado e “adormecido”, e existe uma redução da percepção do ambiente ao nosso redor. É um momento fisiológico único (embora alguns sonhos possam ser recorrentes), onde o cérebro fecha as suas entradas sensoriais e as suas saídas motoras, e onde existe uma grande atividade mental.

Insónias

A insónia é a perturbação do sono mais frequente e consiste em dormir mal, descansar pouco ou nada por mais horas que se esteja na cama a tentar dormir.
Passar, pontualmente, uma noite “em branco” é comum e acontece a todos. O problema surge quando esta situação se torna demasiado frequente. 18825307_w4hue

Está muitas vezes associada a dificuldades de concentração e cansaço durante o dia. No fundo, traduz-se numa recuperação deficitária de energia que impede a realização plena de qualquer actividade física ou mental.

Síntese do conteúdo  do Filme

De forma a que se consiga compreender que o filme de 3 minutos representa um sonho do meu Alter-Ego — Gaspar, utilizando arrastamentos, jogos de luzes e uma certa brincadeira entre a música escolhida e a sincronização de imagem, vou gravar o ambiente à minha volta, um quarto, e logo de seguida uns pés com meias de inverno a fazerem movimentos para se aquecerem. Depois, vou gravar apenas as pernas a levantarem-se e a caminharem, pelo quarto, e por fim, as pernas a cederem e o corpo a cair.

Estes pés representam Nádia, a Paixão de Gaspar. Eles costumavam brincar e dar festinhas com os pés um ao outro para se aquecerem e adormecerem. Desta vez, era só a Nádia, a esfregar pé com pé, sozinha. Ela estava nua, mas algo era diferente da realidade, porque ela nunca fora tão pálida, e Gaspar,  nunca a tinha visto tão desnorteada e sozinha.

A caminhada “às voltas” e em silencio pelo quarto, demonstram o pânico quase que confortável que Nádia sentia, por ter exagerado na dose de Heroína, naquela noite.

A queda põe fim ao video, e foi exatamente esta a forma como Nádia pôs fim à sua vida (no sonho de Gaspar e na realidade).

Gaspar sofre por Nádia todos os dias, e o video não passa nada mais, nada menos, de um pesadelo em que imagina como terá sido a morte dela. Ele não aparece no sonho porque quando Nádia Morreu, ele estava ao lado dela, na cama, mas a dormir profundamente.

Música Escolhida—  https://www.youtube.com/watch?v=IteL6BJo7Ng

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Sinopse do Filme

Já à algum tempo que Gaspar se queixa de Insónias, mas naquela noite… Naquela noite ele conseguiu dormir, e tão bem que dormiu! Até Sonhou… Faz tantos anos que não se veem, mas Gaspar, naquele sonho, conseguiu visualizar e quase sentir o corpo dela. Um sonho como se fosse aquela última vez que dormiram juntos, que adormeceram por já não haverem mais assuntos… E que frios que os pés dela estavam nessa noite de Inverno.

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Alter Ego — Montalvão, Gaspar Montalvão

Alter Ego — Por Ana Lucia Santana

“O Alter Ego de uma pessoa, numa análise estrita, é um ‘outro eu’, uma personalidade alternativa de alguém. Esta expressão provém do latim ‘alter’, que significa outro, ou seja, um eu diferente. Pode-se encontrar este termo tanto na literatura, nas interpretações de obras literárias, como na psicologia.”

 

Mind Map

 

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“I bought a gun and choose drugs instead”

Kurt Cobain

 

Gaspar desde muito novo que tem medo da critica e da humilhação, e embora nunca lhe tenha sido diagnosticado nenhuma patologia mental, nunca fora bem aceite tanto pelos colegas na escola como pelos pais. Sempre fora considerado um “menino mal-compreendido” para a sua Tia, irmã de sua mãe, que era a única que conseguia ver o potencial de Gaspar.

Quando Gaspar tinha 13 anos, os pais sairam do país por uns meses por causa do trabalho, e ele ficou ao cuidado da sua Tia Lídia que o adorava. Quando os pais voltaram, Gaspar não quis mais voltar para casa, e houve guerra entre a tia e a Família Montalvão, sendo que Gaspar acabou por ficar em casa dela, sem ter nunca mais qualquer contacto com os pais.

Ao completar os 18 anos, Gaspar ia completando o seu cadastro também. Lídia, velha e cansada, pediu a Gaspar para ele arranjar sítio onde ficar… Foram 3 anos a fingir que trabalhava num mini-mercado em Alfama, e 3 anos a viver em casa de conhecidos.

Gaspar estava num estado decadente, sempre com o nariz a pingar e com as veias escuras e sobressaídas.

Já com quase 22 anos, conheceu uma rapariga.”A Rapariga”, dizia ele. Para além de lhe roubar o coração, Nádia arranjou emprego a Gaspar num banco, onde trabalhava também. A Cada dia que passava, Gaspar estava mais apaixonado e o seu cargo no emprego subia e subia.

Um dia…

 

 

Diário

Eu não sei o porquê de me estar a dar ao trabalho de escrever o obvio. Não reconheço mais no espelho as rugas do meu rosto. Não sinto mais o picar dos espinhos das rosas vermelhas que costumava cortar do meu jardim agora cadáver. O vermelho perfumado não tem mais cheiro senão o da dor, e as minhas mãos, tremulas e calejadas, não agarrammais carvão. Montalvão, Gaspar Montalvão é o meu nome se é que ainda o possuo ou alguma vez o possuí. Não passo de ninguém e um nome tão cheio de letras não demonstra de todo o vazio que sou.

“Não podes ser bicho do mato se não ninguém te vai aguentar”. Tretas. O problema não é o facto de ser “bicho do mato”, o que na verdade sou, mas sim o facto de odiar todos. Eu odeio T-O-D-A a gente e não são eles que não me aguentam, mas sim eu que não os suporto.

Eu não sei o porquê de me estar a dar ao trabalho de escrever o obvio. Seja por cheiros ou chutos o meu destino está melhor traçado que uma linha de cocaína.

 

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O QUE FOI PEDIDO?_

Com base na visita ao Jardim do Ultramar, no visionamento do filme “ Cartas da Guerra” e na proposição de que “o real mora ao lado”, preparar um AEROGRAMA documental (TEXTO + IMAGENS) sobre a experiência. O documento deverá ser colocado no Instagram até ao dia 29.09 com o hashtag <#DCMPstart2016>, entregue em papel aos professores nas aulas respectivas da semana que termina a 29.09 depois de enviado aos pais por correio (terão de fazer prova do envio dos aerogramas através do carimbo dos Correios).

COMO RESPONDI AO QUE FOI PEDIDO?_

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Erva Daninha > Flor > Árvore

TEXTO DO AEROGRAMA_

Mãe, Pai,

Quando se quiser mais do que palavras e o amor tiver pernas cansadas, que as palavras sejam poucas mas acertadas e, que nasçam incontrolavelmente, como ervas daninhas no jardim. Quando o vento não soprar a favor e quando o silêncio for cantor, cantem-me ao ouvido e que a vossa canção abra mais portas do que aquelas que se fecham. Cantem poesia. Ensinem-me que uma porta não é igual a uma janela, da mesma maneira que uma erva daninha não é uma flor. Não é janela mas também dá para entrar, sem esquecer que flor não é árvore da mesma forma que uma árvore só não faz um jardim, da mesma forma que gafanhotos não cantam como grilos… Cantem-me como grilos, e não se esqueçam que grilos sem jardim não são mais grilos, que jardim sem árvores não é jardim, que flor não é árvore, e que erva daninha não é flor mas nasce como a minha vontade de saber, em sítios e em alturas inesperadas…

Quando no mundo houver mais flores do que ervas daninhas, que se plantem ervas daninhas nos sítios das flores, pois não há beleza maior do que a espontaneidade e da curiosidade. E muitas ervas daninhas juntas, abrigam grilos, fazem um jardim chamado Viver.

PROVA DO ENVIO DO AEROGRAMA_

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FILE#1 – CONFERÊNCIA “CARTEL POLITICO EN CHILE”

No  dia 4 de Outubro, no Grande Auditório da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, assisti a uma conferência dada pelo investigador e director do Departamento de Design da Faculdad de Arquitectura y Urbanismo da Universidad del Chile, Mauricio Vico, com obra publicada sobre o cartaz chileno nas suas fases revolucionárias, da qual se destaca o livro Un grito en la pared. Psicodelia, compromiso político y exilio en el cartel chileno (Libros Editores, 2009).

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O referido conferencista começou por nos contextualizar perante a situação económica, política e social do Chile, sobretudo entre 1970 e 1973 período no qual Salvador Allende chegou ao poder democraticamente, apoiado pelas forças de Esquerda, a Unidade Popular.

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Durante esta altura os cartazes políticos tiveram uma grande importância, tendo como temas a liberdade, pátria, morte, a historia da nação, fraternidade, etc. “Brigada Ramona Parra”, fundada em 1968, era responsável pela maior parte dos cartazes propagandistas criados.

 

Em 1973 foi o final deste mandato, conseguido através do Golpe de Estado de 11 de Setembro, articulado conjuntamente por oficiais  da marinha e do exército chileno, com apoio militar e financeiro do governo dos Estados Unidos e da CIA, bem como de organizações terroristas chilenas, como a Patria y Libertad, iniciando-se assim a ditadura de Augusto Pinochet.

Por fim, também se falou sobre os movimentos sociais e estudantis de 2011-2013, onde o cartaz ganhou de novo o estatuto de meio revolucionário e publicitário. Inspirados nos antigos cartazes dos anos 60/70 os jovens estudantes preferiram continuar com o factor manual, no entanto a mensagem tornou-se mais dura e frontal, o que demonstra o descontentamento existente perante a falta de educação pública no Chile e a crise social.

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